sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Porque Não Apoio a Candidatura do PT





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  DENUNCIE O FASCISMO BRASILEIRO que está ATUANDO NA internet ou
INSTITUIÇÕES DE ESTADO COMO RIO DE JANEIRO colabore com a restituição das garantias dos cidadãos contra a dominação info-midiática


       Sub- desenvolvimento ao Sul: A conceituação pós-moderna do Capitalismo

                                        Eliane Colchete




                       O Capitalismo não deve continuar tendo por modelo a Inglaterra parlamentar do século XVII, e sim a Prússia ("Alemanha") absolutista do século XIX. O capitalismo não foi o que sobreveio no bojo da transformação da sociedade liberal, cuja linguagem cultural foi o empirismo da ciência do Enlightment ("iluminismo"). A transformação da sociedade social, inversamente ao capitalismo,  trouxe a adaptação da descoberta das culturas populares feita pelo nacionalismo romanticista, aos pioneiros estereótipos midiáticos-fascistas do "povo", fabricados pela ditadura prussiana.

          Estes estereótipos concorreram pois, com o "realismo" positivista, enquanto estratégia de recientificização pós-romântica, já na plena visibilidade do fascismo populista que as modificações reacionárias do romantismo produziram, comprometendo o discurso deste como via "socialista" de combate à  expropriação capitalista.

         Assim vemos, pela própria emergência do "socialismo" na França e Inglaterra, que o capitalismo não foi o correlato da revolução da sociedade civil, em vias de derrubar o “antigo regime” aristocrático-imperial. O capitalismo ressoa o fenômeno do conchavo das classes altas proprietárias monopolistas, na França revolucionária, em 1789, com as forças que poderiam ser virtualmente apoiadas pelas monarquias europeias horrorizadas com a barbárie, no entanto plenamente compreensível dado o absurdo das prerrogativas da aristocracia na França.
            Como retorno do monopólio contra a "livre empresa", portanto, tão logo pode contornar os movimentos pelas garantias civis de todas as pessoas físicas,  o capitalismo passou ao avassalamento das conquistas da sociedade civil no interior da Europa, e paralelamente às possibilidades de reordenação do colonialismo, no exterior. O capitalismo não é o produto da sociedade burguesa em qualquer sentido ideológico do termo, é apenas o Imperialismo que decorre tão naturalmente como o fruto da flor, do monopolismo da classe privilegiada da grande ditadura.

      
        A história que começa na sua expressão mais límpida no Biedermeyer do absolutismo prussiano, tem seu polo complementar no Império neocolonial Inglês, cujo primeiro instrumento fora da Europa foi o império lusitano no Brasil ridiculamente designado “independente”. Logo a seguir, tratou o império inglês de destruir a nacionalidade Guarani (Paraguai), porque lograra se constituir num fenômeno de industrialização americano-latina, sem desigualdade social flagrante e com integração à cidadania da população aborígine, conforme Leon Pommer.         

              Essa história precisa, portanto, ser reconstituída à luz da redefinição que permite acabar com as ambiguidades de tradução quanto ao termo burgerlichie como complemento de “sociedade” contemporânea: “burguesa” para os tradutores de Marx, “civil” para os de Hegel. Certamente a transformação histórica da contemporaneidade, enquanto sociedade constitucional e democracia, convém à tradução da sociedade “civil”, e o que a história expõe enquanto da “modernidade” não é certamente a trajetória de uma classe-sujeito do esclarecimento que seria a burguesia econômica. Mas sim a trajetória da guerra da classe oligárquica-identitária, de mentalidade aristocrática imperial, contra a sociedade “civil” enquanto a expressão recente da mentalidade igualitarista quanto a status.  
        Essa trajetória aporta ao presente contexto planisférico,  designado  "conflito Norte/Sul", ou seja, instrui a significação do “terceiro mundo” na circunstância da plena expansão da ditadura capitalista. Portanto, abrange como seu meio conceitual a enformação da “cultura” como forma de investimento do capital na estereotipia perverso-identitária do “povo”, fenômeno que se torna de total pertinência à compreensão do atual estado de coisas  
  na efetividade histórica e nos horizontes da ciência social.

           O ponto crucial da controvérsia sobre o pós-modernismo de fato tem sua ancoragem na avaliação a propósito do fenômeno de pan-midiatização da linguagem da consumação capitalística, o que tornou necessário um juízo a propósito dessa produção voltada às massas. A maioria dos teóricos que rejeitou veementemente o pós-modernismo teve tal produção como alvo, a partir do diagnóstico dela como mera ideologia disseminada como estereótipos identitários. Aqueles que defenderam a noção de um novo cenário do político, pensaram que não se tratava de estereótipos necessariamente, mas do reflexo da expressão cultural dos povos e status até aí marginalizados como “sujeitos de cultura”.

          Hoje podemos notar que essa controvérsia, que vem dos anos oitenta até agora, deve se acrescentar da observação dos fatos. O que decorreu de mudanças profundas nas ciências humanas, como algo que ultrapassou com enorme impacto as disputas de funcionalistas “humanistas” defendendo demagogias populistas como trampolim do fermento revolucionário, e estruturalistas contra-humanistas defendendo a cientificização das políticas contra-capitalísticas, foi realmente a obsolescência da noção de alguma consciência coletiva, unicamente “ocidental, como evolução social.

           Porém isso apenas fez espaço para ampliar a concepção da sociedade de garantias civis dos sujeitos, uma vez que pudesse haver comprovação de que mais sociedades eram afins a sua mentalidade, ainda que não moderno-ocidentais. Não implicava a ingenuidade de universalizar, além do capitalismo, alguma panaceia social dos tempos primitivos. Pelo contrário, implica liquidar com qualquer grande narrativa determinista, que explique um estado social de garantias civis pela presença da tecnologia moderno-ocidental.

          O que houve no entanto, nessas três décadas recentes,  foi o pulular de oportunismos abjetos, com benesses da mídia, que carrearam o que eram pesquisas e produções multiculturais para a fabricação de estereótipos ridículos de “origem” – mulheres, negros, índios, etc. - quando justamente era “origem” o que havia se tornado obsoleto como noção pertinente à ciência social.

           O regresso de uma fenomenologia superada, já muito criticada como trampolim do nazismo, foi o corolário dessa infeliz decorrência, algo tão absurdo como o que já havia sido considerado a figura irritante do “autêntico” com computador.

           A mídia de estereótipo identitário se tornou o repositório de uma antropologia que não mais tem vigência por um lado, mas totalmente imaginária, por outro lado, porque mesmo quando se acreditava na classificação do primitivo como conceito implicava a explicação do desejável, o civilizado. Ou seja, não era o que devia suscitar qualquer pseudo-legitimação à ideologia grosso modo reduzida a universal feudal, pré-egológico (perverso-infantilizado). Assistimos, pois, nessas três décadas recentes, à miniaturização do percurso do Romantismo como descoberta da cultura ao biedermeyer prussiano como midiatização estereotípica do fascismo pioneiro – investimento na “fazeção de cabeça” das massas para que repitam a adoração ao ‘um”imperial como se fosse este expressão dos reais anseios populares.

          A crítica da cultura positivista, contra o império capitalista, corresponde a produção de Marx, porém com a ciência da época, tudo o que se poderia fazer era simplesmente negar a cultura como “podridão” ideológica. Atualmente, contamos com uma concepção do fator preponderante da transformação social na tematização do Sujeito, o ego, pensável.
          Assim a problemática política está num novo meio em sua contestação à ideologia, pois não se trata mais de julgar os produtos, e sim a fase do desenvolvimento mental que os suscita como enunciados, entre ausência e presença do ego pensável em termos do sujeito das garantias civis num meio político constituído.
         É por isso que o terceiro mundo se encontra redefinido como sociedades pré-modernas (pré-egológicas), não mais sub-desenvolvidas ou “em desenvolvimento” – ou seja, na totalidade “sub-desenvolvidas”. A princípio houve muito protesto entre intelectuais não norte-americanos ou europeus, contra essa concepção, mas atualmente, quando a “globalização”  sucateou o meio da cultura letrada local, isso tornou-se inegável. Porém o que precisa tornar a ser colocado em questão é a definição do capitalismo. Se é Imperialismo, o estado de coisas na “margem” apenas se explica pelos intervencionismos relacionais do Centro, mas assim é preciso interrogar as fontes da intervenção que são do Centro e não da margem, enquanto agentes contra-modernizadores.

           A noção do Centro “desenvolvido” precisa então ser revista, se por desenvolvimento se tem agora o correlato do ego atuante em nível político civil, ao invés do tradicional identitário oligárquico (perverso pré-egológico).  Ou seja, a corrupção anárquica do capitalismo na margem está fazendo corpo com o fascismo dos estereótipos de massas, ora identitários ao invés de como no fascismo historicamente formalizado dos anos vinte do século passado, corresponder à ideologia da superioridade da raça branca.
         Logo, pode ser manipulada a incorporação da corrupção como discurso carismático, ao modo de corolário esperável do estado pré-egológico da mentalidade local – como é  corrente na teoria do terceiro mundo atual, à exemplo de Frederick Jameson. A continuação deste blog, se for possível, deverá tematizar o modo como Jameson e os redefinidores do terceiro mundo operaram contudo com uma dicotomia perniciosa à transformação necessária do capitalismo em função da emergência da economia "multinacional".


   
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      Não começou na atualidade a dicotomia de primeiro e terceiro mundos. Ainda que a terminologia seja atual, já era muito usada como noção para discriminar a parte do planeta que fora objeto da apropriação por parte das "nações cristãs". O genocídio dos habitantes dessa parte do planeta, a seguir da dominação cultural dos remanescentes pela religião cristã, já se conhece sobejamente nos anais da história. Mas como a apropriação propriamente dita, colonial, se transformou no “imperialismo”, cuja odiosa dinâmica se traduz como domínio sobre nações formalmente independentes?


       A resposta está na utilização das ciências humanas, que emergiram no século XIX como pesquisa da alteridade cultural, para produção de grandes relatos deterministas que definiriam o estado sub-desenvolvido das nações não capitalistas, não “cientificizadas”, como se o ocidente pós-feudal não fosse um ambiente de interlocução multicultural, somente o que explica convenientemente como pôde superar o fechamento da mentalidade feudal.


       Ora, tudo isso sendo bastante conhecido, ocorre que a dominação cultural como ciência do desenvolvimento, nos países neocolonizados, objetos do imperialismo, se faz pela importação dos grandes relatos sócio-progressistas como receitas de desenvolvimento: por um lado alijando a heterogeneidade cultural local, por outro lado abstraindo cegamente o fato de que o "desenvolvimento" assim conceituado é o produto do imperialismo, ou seja, da exploração das potências desenvolvidas sobre a economia local, tal que o desenvolvimento independente é coibido.
         A força bruta foi o único meio dessa coibição no lance mais recente do combate do terceiro mundo pela liberação econômica. Os desumanos generais da Cia, documentados por Julien e Dreyfuss, agentes da subversão da democracia estabilizada no Irã e no Brasil no século XX,  instituíram as ditaduras mais brutais que se tem notícia, com torturadores patrocinados pelo governo, e tudo mais que se sabe a propósito. No Irã, o ditador instituído foi um nazista histórico  Zahedi, que aquela altura dos anos cinquenta, estava acantonado numa das favelas mais miseráveis de Teerã.
          A finalidade do golpe da Cia era impedir a nacionalização do petróleo iraniano que Mossadegh, governo representativo, havia instituído, assim como a consecução das políticas emancipatórias na América Latina (equiparação do salário mínimo aos preços correntes, reforma agrária, responsabilidade governamental da qualidade de vida, garantias trabalhistas, fomento à empresa nacional, à escolarização e qualificação da mão de obra).


         Apesar disso, os marxistas continuam a apregoar o capitalismo como meio do progresso psico-social, como condição de formação do proletariado, e outros como Foucault pensam que “modernidade” ocidental é o “abrandamento das penas”, enquanto tudo o que é pré-moderno significa a confusão do direito com a brutalidade.
          A concepção pela qual a consciência subjetiva, da qual se segue a mentalidade coerente à normalidade democrática, como respeito às garantias dos sujeitos, é um produto da evolução social, não é uma fantasia dos “pós-modernos”. Uma página de Eagleton demonstra o quanto se presta de desserviço à informação pública, ao desacatar o “pós-modernismo” como alguma coisa monolítica cujo pecado é pensar que Marx ensinou teleologia, mas porque os próprios pós-modernistas julgam teleologicamente que o iluminismo conduz ao nazismo.
         Seria bom que alguém houvesse informado a Eagleton que quem pensava isso era Husserl, nos albores do século passado, enquanto Heidegger, na mesma época, só não fazia coro totalmente porque como nazista é que foi um passadista. A parte esse pormenor, tanto quanto Husserl, Heidegger odiava a ciência experimental porque esta desfaz as tretas da “consciência unificada tradicional", ao demonstrar que o introspeccionismo não conduz a verdade alguma.


       A tese de Jameson sobre o pós-modernismo implica a confusão de estilo estético e condição sócio-histórica. Quanto ao segundo, vemos que Jameson, como Baudrillard, compreendeu  contudo algo importante ao conceituar um estágio “tardio” do capitalismo, que teria se tornado uma pseudo-linguagem “culturalizada” da mercadoria, via mass mídia. Para Jameson trata-se do signo esquizofrênico, pois fetichizado o significante que não pode ser contextualizado, lido a partir apenas do conteúdo comunicado. Para Baudrillard trata-se de uma proto-linguagem que impede do mesmo modo o nível corrente do significado, onde há pluralidade de recursos de sentido, para confinar-se como código sinal-coisa (mercadoria). 
         Ora, para Jameson, no terceiro mundo ou margem não há pós-modernidade,  aquilo que subsiste é ante-modernidade como ausência de estágio egológico formado. Temos aqui uma demonstração óbvia da dicotomia subjacente aos grandes relatos, com a maturação psíquica do sujeito normal sendo definida em função da civilização, e a margem na condição de "ante-civilizado", não sendo portanto referencial do sujeito-normal, mas somente de indivíduos infantilizados, intelectualmente retardados.
         Seriam indivíduos capazes apenas de identificação coletiva, não podendo auto-apreenderem-se como consciência de si, nem produzir crítica social, nem ainda, desenvolver personalidades em devir, conscientes de sua irredutibilidade aos demais. A sexualidade não seria independente de fetiches, tais como a confusão do sexo com alimento. Não poderia haver consciência racional dos constitutivos de situações de classe, porquanto exteriores a si.
          Neste artigo  sobre a literatura do terceiro mundo, publicado em Social Text,  Jameson ampara tal  tese com base na argumentação de que nossa produção não teria ultrapassado o nível do “realismo” oitoscentista. Deleuze, em Cinema II, já havia prescrito algo semelhante, classificando o cinema do terceiro mundo como uma arte onde não havia traço do Split público-privado.


           As diversas dicotomias perversas dos grandes relatos ocidentais, de primitivo e civilizado, são agora simplificadas. Basta para ser construídas, a notação do pré-egológico ao modo da ausência do que é tautologicamente necessário para a constituição do regime constitucional do Estado contemporâneo, a saber, a cisão do nível político público, o da elaboração e execução das leis,  em relação ao subjetivo privado onde só transitam grupos setorizados e sujeitos, quer os componha ou não.


          O conceito psico-social do pré-egológico  é oriundo da junção da psicanálise ao marxismo, como o de Althusser. Para Freud, a criança é o “perverso polimorfo”, porque todas as doenças mentais não redutíveis a deformações congênitas podem ser classificadas como fixações do adulto numa das fases da vida infantil. Isso não é desdouro para a criança, já que as fases são estações no caminho da maturação do ego, ou racionalidade plena. Apenas a fixação numa fase, logo, a impossibilidade da sucessão progressiva das fases, produz a “perversão” como doença.


           Ora, na medida que o não-ocidental não ostenta a performance da modernidade cientificizada, não foi só a psicanálise que serviu para nova forma de narrativa do “progresso” – ao mesmo tempo humano, e só protagonizado pelo Ocidente. Foi algo universal na ciência do século passado, como podemos também notar em Wallon. Mas a forma pioneira dessa estruturação da ciência vem do positivismo oitoscentista, que lidava ao invés do progresso psíquico, ainda com a noção pseudo-biológica de “raça” – a qual na época se pensava ser um amálgama de fenótipo, temperamento, religião, crenças, forma de casamento, etc, ou seja, mistura de “cultura” e constantes de aparência física. A raça era produto da adaptação ao meio, cada sociedade correspondendo a um estágio do progresso técnico a partir de um modo de adaptação. Negros e índios se adaptariam pela força bruta somente, brancos apenas pela inteligência.

           Desde o positivismo se consolidou uma grande mudança na maneira do europeu ver o “primitivo” como tratado foi o habitante do “novo mundo”. Ao invés do sujeito autárquico de Locke e Rousseau, que serviu para argumentar contra a suposição de que a humanidade era naturalmente monárquica, o positivismo conceituou como primitivo hordas de seres semi-bestiais, cruéis, inteiramente instintivos, sem consciência de si. Marx certamente o repetiu, mas de modo que para ele o comunismo primitivo não era a condição a ser reposta pela revolução da justiça social,  e sim apenas um comunismo como evolução social.  
           Conforme Marx, se o capitalismo era a causa material da organização da sociedade democrática, o era também da emergência da humanidade dotada de consciência de si, num raciocínio basicamente igual ao que se conserva na atual terminologia. Marx agregou um elemento crítico ao positivismo, de modo que o capitalismo a seu ver introduzira o progresso psico-social mas por outro lado a exploração do proletariado, então a revolução da consciência do proletariado iria emancipar verdadeiramente a consciência de si, que ainda estava disponibilizada, dominada, pelo capitalismo como estágio técnico. Na “Ideologia alemã” isso está bem explícito, com o primitivo designado “consciência de carneiro, tribal”, ou seja, sem consciência de si. Também aí Marx referencia o que seria um estágio da produção em que não haveria mais necessidade de disponibilização, cada trabalhador faria o que  subjetivamente quisesse. O progresso sempre maior da consciência de si como corolário da sociedade científica industrial era o universal do positivismo, e explicitamente parâmetro conceituado por Spencer, provavelmente o mais influente pensador do século XIX.

         A forma de raciocínio subjacente continua a mesma até hoje. A sociedade constitucional, que emerge do século XIX europeu junto ao progresso industrial, apresenta direito civil cujo sujeito são as pessoas físicas pensáveis como referenciais autônomos, ao invés de grupos estamentais; então só nessa sociedade o sujeito autônomo é pensável. E de fato, uma teoria do sujeito ou uma ciência como psicologia do ego não existe antes do século XIX europeu. Em inícios do século XX essa ciência se tornou o que é hoje, com a descoberta da fase de formação do ego, que não é portanto originário como antes se pensava. Ou seja, nesse momento é que nasceu o que se designa “clínica”, ou “psicopatologia”.

         Porém como enfatizei, o ocidente só começa a pensar o sujeito na decorrência da visibilidade do não-ocidental. Isso é elidido na ordenação epistêmica, a partir do momento em que o capitalismo se concebe como o motor do progresso social, e ao mesmo tempo inexplicavelmente  como algo que não pode ser definido a partir do imperialismo como componente intrínseco. Esse componente é situado, inversamente, como a racionalidade, a consciência de si.

         Em Marx, como no positivismo, a consciência de si é produto do progresso técnico; em Weber, no “funcionalismo”, produto da cultura ocidental (“protestante”); e desde as teorias do inconsciente incorporadas na ciência, como vimos, simplesmente é a efetividade psico-social da “modernidade” ocidental.
         A gravidade do diagnóstico não é desprezível. Onde não há Split público-privado, politicamente todos seriam “Calibãs” – como observou um artigo também em Social Text,  oriundo do Paquistão, retrucando a Jameson. Ou seja, todos seriam corruptos, superegos sádicos de discursos perversos de dominação sobre o alheio que só celebrariam a causa do crime do suposto “forte” sobre o inocente suposto “fraco”, adoradores de ditadores, ausência de costumes realmente democráticos. Não se trata de modo algum de dizer que seríamos apenas cândidas criancinhas.

        A tese de Jameson sobre o terceiro mundo como pré-modernidade, fase anterior à formação psico-social do ego, focaliza bastante depreciativamente a cena do intelectual de margem, para mostrar como é estereótipo do político, apenas, porém incapazes de pensar a verdadeira emancipação política do social.

         Jameson não registrou uma linha sobre a história recente pertinente ao terceiro mundo. Não menciona o Clube de Roma, reunião dos países desenvolvidos para deliberar sobre a impossibilidade da mundialização da tecnologia devido ao problema ecológico, de modo que esses países decretaram o fim do desenvolvimentismo no terceiro mundo. Não obstante a possível destruição do planeta pelo lixo industrial ser de total responsabilidade dos níveis de consumação energética do primeiro mundo. Porém, se não há mais desenvolvimentismo do Saber possível em nível internacional, também chegou ao fim o paradigma cultural ocidental. Não pode ser aplicado a não ser pelas potências predatórias ocidentais, elas mesmas.
        E Jameson tampouco registra a história atual enquanto cenário do mais aberrante intervencionismo por parte dos USA no terceiro mundo,  como intervenção do capitalismo “multinacional”, de modo que ninguém fica sabendo, ao ler o artigo jamesiniano, a propósito da ditadura imposta pelos USA, que alijou todos os direitos individuais antes garantidos pela constituição, impondo censura federal a todas as publicações correntes em território nacional, destruindo pela força bruta toda expressão da arte local que não se coadunasse com a propaganda da superioridade de cultura imperialista.

           Por outro lado, a ditadura foi imposta ela mesma pela propaganda de estar, melhor que os projetos oriundos dos meios político-intelectuais-constitucionais que ela derrubou, provendo o desenvolvimento econômico nacional. Assim ela produziu estereótipos nacionalistas bastante ridículos, que deveriam substituir o que era a verdadeira produção intelectual local da atualidade, mostrando o “tradicional” estereotipado tratado porém com alta tecnologia dos mass mídia.

    A verdadeira produção intelectual da época, porém, certamente inclui o que Jameson considera impossível na “margem” ou terceiro mundo, a saber, experimentalismos como compreensão da materialidade do signo, a exemplo do “concretismo” ou a prosa de Clarice Lispector, entre inúmeros referenciais potencialmente citáveis.

      Contudo, os anos da ditadura cederam ao contexto da "redemocratização", vindo dos anos oitenta, onde a “guerra fria” já estava superada pela “guerra nas estrelas”, a então obtida supremacia americana na corrida armamentista. Ou seja, não havia mais opção ao neocapitalismo norte-americano organizado como eixo do novo capital “multinacional” incluindo o europeu, enquanto “modelo” de alinhamento possível a conceitos desenvolvimentistas produzidos como “teorias” ocidentais, sancionando assimilação concreta do imperialismo.
           Porém por outro lado a situação da “teoria” poderia ser muito positiva, se fossem assimiladas as mudanças que puseram fim aos discursos oriundos dos grandes relatos. Ou seja, mudanças que impedem agora as pesquisas empíricas das humanities servirem para formulação de grandes relatos - sabendo que "narrativas" não são ciência. 
          Essas mudanças assinalam a superação de estruturalismos, fenomenologias e estruturalismos, ao modo de discursos da modernidade.
        Essas mudanças produziram,  como o que me parece a principal aquisição pós-moderna, um conceito do desenvolvimento irredutível aos grandes relatos, isto é, irredutível a toda classificação dicotômica de primitivo e civilizado, pré-moderno e moderno. Trata-se do “idh”, ou “desenvolvimento humano”, em que é a mensuração da qualidade de vida da população local, apenas, o que traduz o estado de desenvolvimento ou não.
           A mensuração não se faz como as habituais estatísticas, por isso não comporta as distorções conhecidas possibilitadas por aquelas formas. Não há amostragem de minoria favorecida que possa valer como “representativa” do “todo”. Assim o bom idh é aquele que traduz homogeneidade da qualidade de vida, independente da possível heterogeneidade cultural, ao contrário do paradigma da "riqueza" desigual.

        Não obstante esse resultado das ciências humanas que podemos então designar pós-modernas, por não comportarem dicotomia primitivo-civilizado, obviamente não decorre como panaceia, capaz de eliminar as causas da problemática sócio-econômica do subdesenvolvimento, que geram índices de desigualdade desumanos. As quais se tornaram agora redutíveis à dinâmica do capitalismo multinacional. Como não houve aqui ruptura assinalável com o modelo desenvolvimentista “moderno”, só está havendo nesses anos resultados infelizes, relativos ao que se poderia esperar do alinhamento ao capital imperialista.

       Durante a ditadura, só na cidade de São Paulo em dez anos, entre setenta e oitenta, o número de favelados subiu de 50 mil para 500 mil em números redondos. Mas na “redemocratização” o modelo de violenta concentração de renda foi tão favorecido que o mega-favelamento urbano que temos assistido não tem semelhança com nada do que aqueles números poderiam expressar. O apartheid social não era ainda visível de modo tão ostensivo, no interior das instituições, como agora. 
          Na mídia, o fenômeno super-conhecido do favelamento como rubrica do crescimento da miséria mundial, não é tratado, pois os USA, desde os anos noventa, tem avassalado a consciência pública para inculcar a falácia que reduz "favela" a "tráfico de drogas". Contudo o OC ("organized crime"), que dos anos setenta em diante nos USA tem incorporado o comércio de drogas, não é sociologicamente o mesmo fenômeno do favelamento. 

      O que contribuiu para tão grande acentuação da desigualdade local, foi que a dívida externa que fomos obrigados a contrair para construir as estatais ao longo da ditadura, foi paga sem conservação das estatais, porque as “multinacionais” as sucatearam, como ao país, que assim está todo vendido ao capital estrangeiro.

         Qualquer benefício dessas vendas não reverteu à melhoria da situação local, mas à ordenação de instituições apartheidistas. Um exame a sério dos descalabros que tem se sucedido ao longo da “redemocratização” deve incluir o que interessa a um cotejo com a análise de Jameson sobre os defeitos da intelectualidade na margem. Assim também porque um dos componentes da penetração multinacional é o próprio business de mídia, se o capitalismo tardio não existe sem ela,  o que Jameson descurou completamente no seu raciocínio.

      O que resultou numa situação de intelectualidade inteiramente reduzida a estereótipos de mídia, situação dificilmente previsível mesmo pelos mais pessimistas análises produzidas antes dos anos dois mil. Essa intelectualidade mostra não refletir, porém, o resultado da “esquizofrenia” pós-moderna como vemos Jameson apresentar no seu artigo sobre a “lógica cultural do capitalismo tardio”.

         Ou seja, não se pode pressupor que há uma internacionalização das condições da produção intelectual e estética. Pois o que Jameson mostra neste citado artigo são produções que poderiam outrossim ser interpretadas de modo irredutível ao dele, enquanto não apenas estereótipos midiáticos.

            Ao contrário, a situação local se tornou demasiadamente defasada de qualquer expectativa de normalidade da consciência pensante, a partir de uma violenta identificação com a dominação info-midiática, por sua vez imposta selvagemente pelas multinacionais, sem qualquer freio de proteção à cidadania. Não desconheço o pessimismo algo neoshopenhaueriano, que está tendo trânsito nos USA e Europa como por exemplo na vigorosa crítica social de John Gray. Porém aí não há um locus assinalável para o sucateamento das instituições do letramento, como do pensamento, local.

         Ao contrário, é o ódio à cultura letrada o que tem se disseminado de dentro das próprias instituições – por isso utilizei o epíteto “violenta”.
      
        De um modo parecido com a contradição da ditadura, por um lado limitam-se à identificação superegóica com a técnica, brutalmente anti-subjetiva, isto é, intervindo agressivamente contra o que não condiz com a referida identificação, além de protagonizar intervenções diretas na vida privada. Mas por outro lado visam um tipo de discurso “popular” setorizado, que apenas reproduz estereótipos da dominação por não serem veículos da reflexão crítica, mas que obtiveram circulação midiática ou de comunidades “guetizadas”, como o que supõem dever substituir o letramento, a introdução aos gêneros “cultos”,  como tarefa das instituições.
         Os “estudos culturais” aqui não foram de modo algum assimilados como o que conheço praticado no Centro em termos de crítica dos discursos correntes de dominação de status – principalmente do machismo e de estereótipos massificados de gênero que erigem dispositivos contra a liberdade dos sujeitos. Vemos que isso nada tem a ver com a veleidade de reduzir a produção letrada a produções populares ou midiáticas.

         Não se trata de preconceito com estas, mas sim de que se a teoria da literatura comporta a crítica da literatura, qualquer alargamento dos instrumentos teóricos para análise de discursos não-literários deve comportar esse nível crítico.
                Ao contrário, aqui, em nível de pós-graduação universitária, estou informada de que o que se está praticando é, sim, uma propaganda de ódio à produção letrada concomitante a um tratamento bastante ingênuo e  heroicizante, do “discurso” massificado, disposto a viabilizar “tipos” sociais estereotipados ao invés de situar as problemáticas de enunciação subjetiva.
            Assisti recentemente até mesmo a uma discussão ridícula, onde alguns professores de nível universitário defenderam, contra um crítico do mesmo nível, que o seriado “nerd”, onde intelectuais são estereótipos de idiotas na vida comum e de nenhum modo pessoas a que devemos associar a responsabilidade pela produção de ciências sociais e políticas, realmente traduz a realidade da classe, porque tais professores testemunharam identificarem-se pessoalmente com os personagens.

        Uma censura informal tem se exercido, como da parte de profissionais de mídia à exemplo de Felipe Pena e Paulo Coelho, contra a livre expressão na literatura, sob o pressuposto de que só podem circular textos que se pautem pelas normas da notícia jornalística. Do contrário taxam o produtor textual de incompatibilizado com a sociedade.

            O “personal computer” tem sido, ano após ano, uma arma sempre mais competente contra as possibilidades de livre pensamento, uma vez que se disponibilizam cada vez mais processadores de textos cheios de obstáculos significantes, de intervenção óbvia, de “spy ware” com recursos sempre acrescidos, etc.

            Não poderia ter havido nada de pior do que a redução dos processadores de textos não manuscritos ao obviamente intrusado espaço do “pc” - assim como possivelmente do próprio espaço das moradias a partir das tecnologias de intrusão digital. Ninguém em sã consciência escreve nisso o que não deseja ser lido por desconhecidos. Conforme assinalei, não há opção, porém, para textos não-manuscritos. Ou seja, estamos na idiota situação de pessoas que não podem escrever o que querem, exceto à caneta.

         Sobretudo, o discurso de redução de toda cultura letrada a mera recepção info-midiática, se mostra pela expressão “analfabetismo digital”. Como se sabe, se o letramento é escolarização como iniciação ao cânon culto, a sã pedagogia que procedeu a esse conceito elide a terminologia do “analfabetismo”, posto que o “iletrado” não é alguém que não possua linguagens culturais já implementadas em seu próprio meio social. Não obstante, a quem não está acoplado à mídia-informática está sendo negado o status de sujeito de cultura, independente de qualquer nível do seu investimento cultural.

          Mas a população na maioria ganha apenas um salário mínimo, enquanto um computador custa três quando não dos caros. A manutenção de um computador custa quase um salário por mês, devido a tintas, problemas que apresenta ordinariamente, conta de internet, inovações requeridas, etc. Toda linguagem das mídias de informática é nitidamente elitista, sancionando os meios discursivos da heroicização da desigualdade, também desletrando em relação à língua. Ainda assim o discurso instituído é que o computador democratiza via internet.

        Em todo o mundo esclarecido não há instituição não passível de crítica, com vista a melhorias, mas muitos meios universitários de hoje em dia não toleram a menor referência crítica à produção de televisão e mídias. Não obstante em décadas recentes haver pesquisa nacional sobre fatores críticos da penetração midiática, questionamentos consequentes, etc. Este material tornou-se de status marginalizado, ao contrário, se leem agora como muito pertinentes as primeiras pesquisas, feitas há mais de cinquenta anos na Europa, sobre a penetração dos pioneiros meios de massa.

        À parte essa tendência de redução à comunicação de massas, refletindo numa pedagogia contrária à do letramento, tal que elide a compreensão de textos e o contato com o cânon letrado local sob as desculpas de que o alunado popular não tem condições mentais para tanto, há aquela fortemente elitizante que “purgou” o cânon dos acréscimos realmente críticos do que antes havia sido apenas o transporte dos modelos ocidentais para absorção local de grupos afluentes. Ou seja, onde se preserva o cânon, este está espantosamente privado dos expoentes realmente significativos da vanguarda  que como integração da cultura local aqui contribui mais a partir dos anos cinquenta.

        Os banditismos incorporados a políticas governamentais, excetuando a odiosa brutalidade espantosa da ditadura contra os perseguidos políticos, não foi ostensiva na ditadura como se tornou na “redemocratização”. É certo que na época da ditadura vários intelectuais competentes cobriram as distorções do modelo, que obstaculizavam o mais possível o capital local para ao contrário favorecer o trânsito das multinacionais. Quando nem mesmo isso se revelava bastante à ganância do capital “central”, alguns  banditismos de carteis europeus  contra as nossas empresas foram documentados, entre os que simplesmente não o foram, banditismos por vezes enfrentados pelas forças da organização política consciente que ainda restaram na época. Mas Collor, o presidente eleito após a ditadura (1990), roubou pessoalmente a poupança da população de pouca renda, e de 2006 até agora estamos sob um governo que se diz "de trabalhadores", mas que apenas disseminou uma ideologia do crime que está se expressando nos meios populares, o que seria preciso ser examinado.

         Como este governo atual do Pt foi alvo de um processo por corrupção no início do mandato, apenas não tendo havido impeachment inversamente a Collor, houve desde o ano passado (2013) uma campanha movida não sabemos por quem, de pichação dos muros da cidade (Rio de Janeiro) com o slogan “lutar não é crime”. A princípio, o Centro da Cidade do Rio de Janeiro foi ocupado por letras garrafais, ao longo de quase  todo um quarteirão, com esta inscrição e alguns acréscimos que heroicizavam os lá designados “presos políticos”, isto é, os políticos presos como comprovados corruptos. Tal “palavra de ordem”, a partir daí,  tem se disseminado nos meios populares, servindo para ondas de pichação de jovens contra as instituições democráticas, como contra o voto, tanto quanto a várias plataformas ostensivas de pseudo-justificativa de dominação neonazista. Em sala de aula, do mesmo nível universitário, constatei propaganda de “dominação”, na base de identificação do governo do país com pais de crianças numa família, assim como expressão ostensiva de ideologia contra-democrática.
      Às vésperas da eleição esta semana, a sede da Abril foi vandalizada por "petistas" porque uma revista publicou reportagem denunciando a implicação do governo na corrupção da Petrobrás. Mas se o resultado das urnas traduz praticamente um empate entre os dois partidos concorrentes, com uma vantagem insignificante que apenas torna mais odiosa a situação, isso mostra que não é a população como um todo ou na maioria que está defendendo a corrupção, mas sim chusmas irreconhecíveis como membros da civilização.

         A mentalidade de heroicização da conduta criminosa, como signo de “poder” sobre os demais, tem se tornado o pão cotidiano da conversa habitual a partir de que há óbvio patrocínio nas mídias, assim como apoio subreptício ou ostentoso, a tais chusmas contrárias à consciência das garantias civis. Assim como a ostentação de autoritarismo indicial da desigualdade, tendo se tornado obrigatória a figura do humilhado pelo “superior”. Isso vem sendo muito da propaganda de mídia nesses anos, algo de modo algum palatável à mentalidade esclarecida, formada até aí, quando a propaganda era majoritariamente uma linguagem estética bem qualificada. Nas ruas, a população que sempre foi educada, se tornou irreconhecível, pois constantemente dirigindo infâmias, ameaçasou intervindo diretamente no trânsito das pessoas idôneas, se não "comunitariamente" identificadas. Hordas linchando senhoras indefesas foram objeto de reportagem na mídia.
          O que seria de se esperar dado o teor do "discurso" das chusmas desletradas, violentamente reduzidas a veículos do fascismo. Trata-se de uma mentalidade de fascínio pelo "um", crente na aristocracia "natural" de aparência e riqueza, etc.
             As mais ridículas pantominas são constituídas para assinalar nas ruas a "superioridade" alucinatória do vulgo ostentoso sobre o alheio, o que na doentia mente significa a ficção de ser "superior" por  estar assassinando. Até mesmo num cartório funcionários (ou proprietários?) estão fazendo pantomina de assassinato de noiva ao casar-se (Tijuca/Rio de Janeiro).
             Tornaram-se frequentes os confrontos de multidões faveladas, que atacam munidos de pedras os postos de segurança pública. Ou de grupos de desabrigados famintos sendo expulsos à força de imóveis vazios há anos, como do edifício vago da Oi, há alguns meses (Rio de Janeiro).

         A oposição de “baixo” e “alto” praticada cotidianamente no discurso não tem porque ser analisada para aparecer. Transparece ostensivamente na parole, ao menor contato. A “imagem”, por outro lado, é o referencial de toda inteligibilidade, não a palavra, obviamente a “imagem” está sempre cuidadosamente ordenada para ostentar a mesma oposição.

       Todos esses índices da decadência institucional no país são correlatos do recalque ostensivo a qualquer concepção de autonomia da nacionalidade que implique questionar a dominação info-midiática internacional. Assim a tese de Jameson pelo que a ausência de Split público-privado local era função do nacionalismo como infantilidade política, a partir do desconhecimento do papel sócio-evolucionário do proletariado, não tem respaldo. Pelo contrário, é a oposição ao que vinha se manifestando como autonomização da linguagem cultural local, por total subsunção à info-midiática norte-americana, o que pode ser colocado em nível determinante.

          Mas quanto a esse papel do proletariado, nem Jameson nem Eagleton examinaram a questão da superação desse conceito num meio neocapitalista em que “trabalhador” já se tornou uma noção extensível a qualquer participação no mercado produtivo, o qual incorpora à identificação contra-subjetiva midiática. Tanto um operário quanto um alto funcionário administrativo são trabalhadores, e nem mesmo a grande empresa capitalista comporta já desde décadas, a figura do “capitalista” unicamente proprietário que fazia a oposição ao operariado como “trabalhador”, isto é, assalariado.

    Não surpreende que no governo do "partido dos trabalhadores" o que temos visto é o contrário de políticas protecionistas do operariado, que teriam que compreender fomento à livre empresa local, porque as multinacionais só se alastram pelo mundo impondo condições aviltantes à mão de obra desqualificada e este governo é ostensivamente alinhamento ao capital multinacional. Como Dreyfuss anotou na sua obra algo recente sobre globalização, a mesma Morgan paga em números redondos vinte dólares por hora na Europa, mas perto de um dólar a hora no terceiro mundo. Além disso, no terceiro mundo não há compromisso com a ecologia, mas sim isenção de impostos, fomentos e maior capacidade de intervenção social a níveis impossível no Centro.

        Ora, a onda de protestos desencadeada no ano passado contra os descalabros da expropriação local, lembrando que os imóveis tiveram uma alta tão espantosa que só nos faz lembrar o que costumam produzir os cartéis quando interessados na liquidação de certas possibilidades do crescimento local, assim como os salários estão congelados há tempos, foram precedidos pela notícia de um crime odioso contra um ativista do campesinato. De fato, a alta dos imóveis, concomitante a uma alta do dólar da mesma magnitude, trai ostensivamente a evidência de a quem isso serve – os latifundiários e a todos os que vendem matéria prima barata a um capital estrangeiro ávido por monopolizar a compra, a fim de condicioná-la à venda dos industrializados caros, na decorrência de ainda não serem os aqui fabricados. A reserva do saber, aliás, torna nula qualquer veleidade da fabricação local, “globalizada” pela filial multinacional, reverter num progresso real, posto que não se trata de comunizar o know-how.
          E de fato, o resultado eleitoral comprova o que estamos evidenciando. Pois, se a diferença do número de votos foi muito curta, os estados que produziram a pequeníssima maioria que sancionou a reeleição foram os do interior, onde "currais" eleitorais, dominados pelos latifundiários, são a constante, assim como mentalidades anormalmente arcaicas devido ao grau de desletramento - não obstante, como sublinhei, absurdos arcaicos, brutais, machistas, etc.,  que a linguagem da mídia tem repetido, até mesmo por via dos filmes americanos que desde alguns anos tem marginalizado personagens de mulheres esclarecidas para ostensivamente "substituir" por figuras de mulheres arcaizantes.
          Os estados que concentram a população esclarecida, especialmente São Paulo, votaram contra a reeleição do pt. Pois configura uma espécie de dinastia perpetuando-se contra as necessidades da democracia. Sabemos bem que monarquias estão sendo instituídas nos países do terceiro mundo avassalados pela "globalização".
           O que está havendo no Brasil pode por vários motivos ser considerado pelo ângulo de uma recolonização, com alijamento do que ao longo do século XX foi construído como cultura e civilização brasileira, na base da consciência da democracia, tendo se mantido até a globalização em termos de gerações atuantes na resistência à ditadura. Registra-se aqui portanto que a geração da globalização não resulta de coisa alguma que a cultura brasileira preparou, mas se incompatibiliza violentamente com a capacidade pensante e criativa, assim como com a capacidade de escrita e compreensão de textos, tanto quanto com o que se associa a uma mentalidade da democracia. A descontinuidade assinala ingerência violenta do imperialismo desde a transição aos anos dois mil,  num novo saque neocolonial a que se deve designar "globalização".
          Também se deve notar que desde que foi eleito inicialmente, há doze anos atrás, o pt não se comprometeu de forma alguma com qualquer ruptura do status quo vigente de  violenta concentração de renda imperialista, ao contrário, prometeu seguir a ingerência das classes proprietárias na economia. Ou seja, o partido desde que do governo não permanece definível como do "operariado", a partir de que não defende qualquer política coerente a isto.

      Pelo que se sabe, na margem a “globalização”que define o transporte de fábricas multinacionais para o terceiro mundo, bem como a expansão do trânsito mercadológico em nível mundial,  tem revertido num achatamento etário do mercado de trabalho, tal que os trabalhadores adultos conscientes estão sendo excluídos.

        Assim o ciclo etário que pelo aumento da longevidade da população, traduz o desenvolvimento da nação, está sendo obstaculizado pelo próprio capitalismo na margem, ao contrário da espantosa longevidade que o progresso científico e os lucros hauridos pela expansão tem favorecido no Centro (USA e Europa).

          O capitalismo está portanto produzindo uma sub-humanidade ao sul, estruturalmente incapaz de alcançar a maturação psíquica egológica, e do mesmo modo estrutural incapaz de alcançar futuramente níveis de produção científica, mesmo em termos de humanities onde nenhum impedimento formal deveria verificar-se, ao contrário, sendo o caso das fontes mais ricas em matéria de heterogeneidade  cultural. Tal sub-humanidade não pode portanto continuar sendo creditada a uma constituição congênita local, mas decorre do alinhamento ao imperialismo (capitalismo) info-midiático.
                   A mídia norte-americana está se traduzindo numa neobarbárie, sabendo-se que a civilização começa com a escrita, após o limite do desenho, mas tais mídias sendo reduções violentas das práticas culturais a mera figuras na tela.
             Conhecemos, por David Halberstam e outros historiadores, a mentalidade oligárquico-identitária, não democrática, sem princípio de realidade mas ao contrário, investindo nas piores formas de sensacionalismo como a exploração da guerra do "complexo militar industrial" contra o terceiro mundo, dos clãs que monopolizam o business de mídia norte-americanos. Assim como o acoplamento destes clãs aos dirigentes que protagonizam tal odiosa guerra ao longo do século XX, até o recente enforcamento do presidente do Iraque, etc. - formalmente implicando a superação do paradigma da modernidade como supressão da brutalidade penal ou instituições burocrático-racionais sem intervenção identitário-privada.    
            Tudo isso que tem sido objeto de repúdio das próprias populações esclarecidas dos USA, como vimos intensas manifestações populares contra a guerra do Golfo.
          Sendo Halberstam repórter, um dos inúmeros que tiveram suas observações simplesmente censuradas pelos editores de mídia, que as converteram nas manchetes mentirosas contrárias ao relatado - no seu caso, do Vietnã  - colabora sua crítica com as inúmeras tentativas dos profissionais interessados na verdade obterem melhores meios de atuação contra os ditadores do business.

         Localmente, os neonazismos  são realidades de grupos documentados. Os discursos fascistas passadistas  são integrados, além de por oportunismos de estereótipos de gênero sexual, etnia, condição social, pseudo-prerrogativas de juventude, etc.,  também por disseminação de seitas cristãs populistas, veículos de linguagem brutalmente preconceituosa,  inculcação de desejos de destruir os outros a fim de comprovar a supremacia dos favorecidos por deus, práticas de inviabilização da consciência pensante (jejuns, vigílias, incitação a alucinações, a manifestação de sinais de possessão violenta pelo "espírito", etc.). Campanhas contra a biologia evolucionista, imposição de aulas de religião nas escolas públicas, perseguição explícita ao cultivo da ciência e cultura letrada, como à lei constitucional, para imposição da bíblia como único referencial dos valores e costumes, tem acompanhado o percurso dessas seitas que passaram a proliferar na "redemocratização" com ampla penetração na mídia.

         Minha observação sobre a intelectualidade comparte uma posição isenta da participação direta nas instituições. Sou produtora de pesquisa independente, nenhum dos livros que já publiquei em edições pagas, sem garantias de distribuição no mercado, teve até hoje qualquer repercussão registrada nos meios, nem concedi qualquer entrevista a propósito dos assuntos desenvolvidos. Os livros em que apresento o resultado de minhas pesquisas estão oferecidos no site da Quártica, sob os títulos “Pós-moderno: poder, linguagem e história”, e “Filosofia, ceticismo, religião: com um estudo sobre Diógenes Laércio”. Mantenho blogs na internet tratando destes conteúdos e apresentando resultados de estudos em humanities.

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    Escrito em 18/09/2015
   
        Aponho aqui   o estudo que estou desenvolvendo desde há duas semanas, intitulado A Escalada do Império, porque mais uma vez o espaço reservado ao blog que estava sendo apresentado foi estragado por agentes desconhecidos.
     Como milhões de pessoas neste país, peço o impeachment contra um governo que não garante nossos direitos civis, mas apenas os da Microsoft/Internet impor lavagem cerebral, tortura psicológica, dominação da informação privada.
            A extensão do dano à pessoa humana de que o governo atual é responsável mediante sua política de impunidade digital e imposição do uso, supera todos os piores prognósticos a propósito do grau de ambição a que bandidos no poder podem chegar. O Brasil está escravizado ao sistema de impunidade da Microsoft.
         Os maníacos impunes são financiados para torturar pessoas mentalmente sãs, porque o governo brasileiro não quer que os brasileiros sejam inteligentes ou obtenham informação produzida por pessoas livres, ao invés do dirigismo abusivo de um monte de mentiras, a partir de pseudo-profissionais incompetentes.
          O governo prefere os esquizofrênicos, os paranoicos, os sádicos, os histéricos. Governo de prostitutas, de assassinos, de bandidos. Ele os instala em nossas casas, eles passam a controlar as nossas vidas. Com o impeachment os maníacos da Microsoft que tem sustentado a corrupção e a tortura no país, a invasão da privacidade pela mídia, devem ser expulsos da vida dos brasileiros.
       Comprovei  óbvia "edição" deste texto por pessoas desconhecidas, além da instalação de dispositivo tornando a digitação impossível. Eu já havia tirado um prefácio que primeiro pensei colocar, quando sublinhei com negrito os títulos do texto. Na transcrição para este espaço, reapareceu o prefácio, mas não desapareceu o negrito - logo, a cópia não corresponde a nenhuma que eu mesma tenha feito. Até que ponto o texto foi alterado só poderei verificar quando fizer a revisão do estudo completo, pois não pretendo interromper o andamento da minha produção. - interrupção que é todo o objetivo do criminoso.

            NENHUMA LICENÇA FOI PEDIDA NEM CONCEDIDA PARA INTERVENÇÃO, ACESSO OU ADMINISTRAÇÃO DE TERCEIROS EM QUALQUER DISPOSITIVO RELACIONADO AO FUNCIONAMENTO DO MEU COMPUTADOR OU DA MINHA CONTA NA INTERNET.

          (denuncie o neofascismo brasileiro)

      === acréscimo em 2019
         recoloquei o estudo "a escalada do império" na página do blog que o leitor poderá acessar com o mesmo título; o estudo está impresso em meu livro publicado "riqueza e poder, a geoegologia", que porém continua por ser colocado na internet pela editora Quártica. O livro, agregando mais estudos, pode ser solicitado pelo site da editora ou meu email liacolchete@gmail.com.
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